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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Roteiro extraordinário é a força de "Blue Jasmine"

Com muito atraso, vi o mais recente filme de Woody Allen (diretor e roteirista), "Blue Jasmine", indicado ao Oscar de melhor roteiro original, atriz (Cate Blanchett) e atriz coadjuvante (Sally Hawkins). No começo, com a personagem principal, interpretada magistralmente pela classuda Cate Blanchett, favoritíssima ao Oscar, a impressão que tive é que seria mais um dos típicos filmes de Woody Allen, com o personagem principal sendo um verborrágico reclamão da própria vida, atormentando os coadjuvantes em busca de sua própria satisfação utilizando muitas vezes de um sarcasmo de excelente comicidade.

Cate Blanchett e Alec Baldwin são a dondoca e o milionário golpista em "Blue Jasmine", de Woody Allen - Foto: Sony Classics
Ok, é uma maneira de ver até mesmo "Blue Jasmine", com a diferença que o filme estrelado pela australiana é um drama profundo, que engana os espectadores e mostra, ao longo de flashbacks não muito bem delineados, como Jasmine passou de uma dodoca egocêntrica para uma viúva sem-teto que precisa ir morar na casa da irmã adotiva classe média, sem classe e escolaridade (além de dois sobrinhos barulhentos), após descobrir que era traída pelo marido e tê-lo entregado ao FBI por suas falcatruas financeiras. O marido, interpretado por Baldwin, acaba cometendo suicídio.

O choque de personalidades garante os momentos cômicos, mas aos poucos, a esquizofrenia e a insensibilidade da personagem principal, que faz de tudo para retomar sua vida sem esforços e cheia de luxo, toma conta da história. O filme não tem o seu sentido completo desvendado até a última cena, quando nos perguntamos se muitos dos andarilhos que vemos pelas grandes cidades não tem alguma interessante história para contar diante de sua aparente loucura e falta de senso lógico. 

Sobre os prêmios, o filme merece vencer em atriz e roteiro. A interrogação é se o novo escândalo sexual/incestuoso de Woody Allen não vai espantar os votantes da Academia. O histórico diz que não, já que Woody é um dos mais queridos de Hollywood, com 24 indicações e quatro estatuetas.

domingo, 16 de maio de 2010

Ridley Scott acerta no foco narrativo em Robin Hood


A expectativa era alta para o novo Robin Hood. Como uma história tão batida poderia arrebatar boas críticas depois de incontáveis versões? Esta deveria ser a primeira coisa a ser leva em consideração pelo experiente diretor e produtor Ridley Scott e sua trupe de "Gladiator".

Russel Crowe foi escalado para o papel principal do "ladrão que rouba os ricos e dá aos pobres". Mas esta é a questão. O filme está centrado em contar a história antes da história, de onde veio Robin Hood e porquê ele é procurado. Tanto que seu nome, como o conhecemos, só é pronunciado no final; antes, ele é Robin Longstride.

Toda a ambientação medieval, figurino, fotografia, edição e direção estão apurados. O roteiro, apesar da boa idéia de contar uma versão inédita, não consegue escapar de alguns clichês e de uma boa dose de previsibilidade, mas está longe de comprometer a produção.

O ponto alto está no time de atores, a começar pelo protagonista, o antagonista Mark Strong, Max Von Sydow, William Hurt e a uma das melhores atrizes de todos os tempos (sim, de todos os tempos!), Cate Blanchett. Nenhuma frase é uma simples frase depois de sair da boca desta australiana linda e talentosa. Bullseye, Mr. Scott!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Benjamim Button é o Forrest Gump dos anos 2000

Grande filme. Benjamim Button é uma produção impecável, que prende a atenção durante todo o tempo, que o leva a ficar mais e mais curioso diante do caso do protagonista. Um cara que nasce velho e vai rejuvenescendo... ótima idéia do escritor F. Scott Fitzgerald que foi transposta às telas pela dupla Brad Pitt e o diretor David Fincher. Até agora, eles só fizeram filmes que sobreviveram e ficaram melhores com o tempo (Se7en e Fight Club são fantásticos).

As semelhanças com Forrest Gump está no título com protagonista; na forma narrativa; na utilização de efeitos especiais; em um protagonista com uma característica peculiar (Forrest era autista); na duração do filme (quase três horas).

As diferenças estão: Brad Pitt nunca será Tom Hanks; no entanto, os coadjuvantes de "Button" são melhores (Taraji P. Henson bate Sally Field no papel da mãe dedicada e Cate Blanchett, Oh My God!, coitada de Robin Wright Penn no papel da amada); e finalmente, nas changes para o Oscar. Enquanto Forrest era barbada e arrebatou 6 prêmios, Button deve ficar com os prêmios técnicos, como direção de arte, efeitos especiais, figurino e maquiagem... mas quem sabe não vença também filme, direção e roteiro... pode acontecer, o tempo dirá.

Tempo... esse sim é o protagonista da história, e não Brad Pitt. Seu personagem está à mercê dele, como todos nós, mas na contramão. E isso, é determinante no decorrer da história. E também, será determinante para dizer se Button é melhor que Forrest Gump. O protagonista dos anos 90 é muito mais carismático, mas filme por filme, prefiro Button.