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domingo, 16 de maio de 2010

Ridley Scott acerta no foco narrativo em Robin Hood


A expectativa era alta para o novo Robin Hood. Como uma história tão batida poderia arrebatar boas críticas depois de incontáveis versões? Esta deveria ser a primeira coisa a ser leva em consideração pelo experiente diretor e produtor Ridley Scott e sua trupe de "Gladiator".

Russel Crowe foi escalado para o papel principal do "ladrão que rouba os ricos e dá aos pobres". Mas esta é a questão. O filme está centrado em contar a história antes da história, de onde veio Robin Hood e porquê ele é procurado. Tanto que seu nome, como o conhecemos, só é pronunciado no final; antes, ele é Robin Longstride.

Toda a ambientação medieval, figurino, fotografia, edição e direção estão apurados. O roteiro, apesar da boa idéia de contar uma versão inédita, não consegue escapar de alguns clichês e de uma boa dose de previsibilidade, mas está longe de comprometer a produção.

O ponto alto está no time de atores, a começar pelo protagonista, o antagonista Mark Strong, Max Von Sydow, William Hurt e a uma das melhores atrizes de todos os tempos (sim, de todos os tempos!), Cate Blanchett. Nenhuma frase é uma simples frase depois de sair da boca desta australiana linda e talentosa. Bullseye, Mr. Scott!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

"Shutter Island" é ode grandiosa a Hitchcock


Ao assistir "Shutter Island" (no bobo título em português, Ilha do Medo), você pode lembrar de dois filmes: Hide and Seek (Inimigo Oculto), com Robert De Niro, pela proximidade entre protagonista e antagonista (se é que você entendeu a sutileza), ou Vertigo, pela técnica de filmagem, trilha sonora, direção afiada e roteiro impecável.

Obviamente, Martin Scorcese está muito mais próximo de Alfred Hitchcock do que de John Polson (who? - diretor do fraco filme com De Niro) e presenteou as platéias de 2010 com um dos melhores filmes de suspense já feitos.

A história protagonizada por Leonardo DiCaprio tenta confundir, provocar dúvidas, mas sempre deixa rastros concretos do que é desvendado no final, em um roteiro muito bem amarrado e conduzido pelo diretor. Scorcese apostou em angulos obtusos, trilha sonora aguda e incomoda para criar o clima muito mais próximo do thriller psicológico do que do terror que o título em português sugere.

O elenco é um show a parte. Não é a melhor interpretação de DiCaprio em uma parceria com Scorcese (a lembrar - Gangs of New York, The Departed e Aviator - este último, o melhor desempenho de Leonardo), mas como sempre, uma sólida atuação; no elenco coadjuvante, os sempre fantásticos veteranos Ben Kingsley e Max Von Sydow; o novato Mark Ruffallo e dois dos mais obscuros e talentosos novos-velhos atores de Hollywood, Patricia Clarkson e James Earle Haley, que já foram indicados ao Oscar.

A pena é que a Academia já presenteou Scorcese com The Departed, um bom filme, mas muito atrás deste, que é o seu melhor desde os tempos de Taxi Driver e Ragging Bull.

PS: ode e grandiosa parece meio pleonasmo, mas é que eu gostei muito mesmo do filme.