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terça-feira, 26 de abril de 2011

"Rio" é um importante pacote de clichês


Colorido, divertido e lindo, a animação "Rio" é o tributo a sua terra do mais bem-sucedido brasileiro em Hollywood, o diretor Carlos Saldanha, dos megasucessos de bilheteria "Era do Gelo 1, 2 e 3" (eu só vi o primeiro). A história não tem segredos e tem vários clichês comuns a muitas narrativas e ao Brasil: o herói abobalhado que supera obstáculos para conquistar a garota, o samba e o carnaval, e o inevitável final feliz.

Mas a previsibilidade facilita o entendimento universal do filme, feito para ser um sucesso de bilheteria, e não uma tese de mestrado. Ou talvez ele até se torne uma tese, pois é o melhor cartão de visitas que o Rio de Janeiro talvez jamais tenha tido. Gerações de crianças, dentro e fora do Brasil, podem crescer com o filme na cabeça, querendo conhecer a cidade (belissimamente retratada, como é). E além disso, é uma importante denúncia contra o tráfico de animais silvestres.

Além da beleza das imagens e do show técnico para reproduzir os movimentos das aves e outros animais, o grande destaque está na trilha sonora, com pitadas de bossa, samba e rap, com Will.i.am e Jamie Foxx puxando o som. Nos papéis centrais, Anne Hathaway cumpre seu papel de donzela indomável e Jesse Eisenberg (como o protagonista Blu) confirma para mim que simplesmente, em qualquer filme que seja, "Rio", "A Rede Social" ou "Zumbilândia", ele faz o papel de si mesmo.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Indicações do Globo de Ouro deixam Brasil com água na boca


Saíram as indicações ao Globo de Ouro, o que pra mim é o início da temporada de filmes. Pelo menos um por semana, daqui, até o Oscar. Mas o que sempre acontece, todo ano, é que a maioria dos filmes ainda nem apareceram por aqui. Peguemos por exemplo, os indicados a melhor filme dramático. Dos cinco, apenas "Inception" ("A Origem") e "The Social Network" ("A Rede Social") há puderam ser vistos por nós. Faltam ainda "The King's Speach", o campeão de indicações (7), "Black Swan" e "The Fighter".

Várias indicações são interessantes, inéditas e impensáveis há alguns anos. Mila Kunis, a garota fútil de "That 70's Show", está entre elas; Colin Firth (foto, em "The King's Speech") e até Mark Walhberg são veteranos perto de James Franco, Jesse Eisenberg e Ryan Gosling, entre os atores; Natalie Portman parece ter encontrado o papel de sua carreira na história de uma bailarina obscessiva ("Black Swan").

Sinto falta de outras indicações para o surpreendente filme "The Town" (com o terrível título em português "Atração Perigosa"), de Ben Affleck, que podia estar entre os atores e até diretores. O único indicado é Jeremy Renner, que pelo segundo ano seguido, está entre os melhores, após o sucesso do filme vencedor do Oscar "The Hurt Locker".

Veja a lista no melhor site da Internet, o IMDB.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Fincher amarra os nós de "A Rede Social"


David Fincher é um grande diretor e sempre pegou temas polêmicos/criminais como Se7en, Fight Club ou Zodiac para dirigir, além do realismo fantástico de Benjamin Button. Agora, o seu desafio foi fazer de uma narrativa comum, sem sangue ou magia na acepção pura da palavra, um filme com a sua assinatura.

Não há muitos pontos em comum de seu novo aclamado filme, A Rede Social, história da criação do Facebook, com os outros supersucessos supracitados. O que há de comum é mais um filme excelente, com outros pontos a serem ressaltados. Ao contrário dos outros filmes, não há superestrelas aqui. Jesse Eisenberg, que personifica Mark Zuckerberg, o criador-gênio da rede social, vem sendo aclamado para prêmios de melhor ator, mas não vejo nada de diferente em sua interpretação que não esteja no ator em si (a fala rápida e articulada) e o extremo sarcasmo, já mostrado em Zumbilândia.

O restante do elenco também é bem conduzido pelo exímio diretor, mas a força da história está essencialmente no roteiro, com flashbacks e forwards, texto corrido, que exige atenção da platéia. Enfim, Fincher transpôs para a tela a rapidez do Facebook no texto em que dirigiu.

Nota especial para a trilha sonora ousada e "datada". Tem a cara dos primeiros deste século. Daqui há décadas, saberão de quando é o filme pela trilha, assim como sabemos quando um filme é da década de 70.