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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Capitão América é o anti-Jack Bauer

Esqueça as explosões, as lutas milimetricamente coreografadas, o som perfeito das balas e mísseis, a edição impecável das cenas que fazem todos acreditar que Chris Evans é mesmo o Capitão América. O que a nova aventura do man-with-a-shield ("Capitão América 2: O Soldado Invernal/Capitain America 2: The Winter Soldier" - nome horrível aliás, parece que o subtítulo tem que trazer o nome do vilão, quando o filme é muito mais que isso) quer perguntar não é se você adorou o excelente filme de ação, mas sim, o que é realmente liberdade no século XXI (para todos nós) e se o que os EUA preconiza como política de segurança está realmente de acordo com os ideais de liberdade nos quais o país se vangloria ter sido fundado (para os americanos).

A identidade do Soldado Invernal é uma das surpresas do filme, que traz ecos do primeiro Capitão América - Foto: http://marvel.com/captainamerica#/gallery

Guantanamo, Talibã > Al-Qaeda > Bin Laden, Saddam Hussein, espionagem da Internet, são alguns dos exemplos das instituições ou ações realizadas pelos EUA em nome da segurança e estabilidade, que, como alguns dos exemplos citados, se mostram ineficazes ao longo dos anos e acabam se virando contra o criador.

O Capitão América simboliza todas as ações corretas, sem meias medidas, necessárias para que realmente haja liberdade, com seus ônus e bônus. No mundo buscado pelos vilões do filme, sobrariam no mundo apenas aqueles que não questionam, não pensam, não fazem contraponto ao status quo. O herói do filme é o anti-Jack Bauer, personagem da excelente série "24" (que está para voltar neste ano - YES!), que fazia de tudo, mesmo, até mesmo sacrificar amigos e familiares, em nome de "um bem maior". O que o novo "Capitão" nos convida a fazer é se perguntar: "bem maior" para quem?

O filme tem a excelente direção dos irmãos Russo (Anthony e Joe), que até agora eram famosos por dirigirem comédias, no cinema e na TV. Além disso, o real vilão do filme é ninguém menos que um dos maiores mocinhos da história de Hollywood, Robert Redford. Só isso já vale o ingresso.

E no final, temos uma introdução do próximo "Avengers", que finalmente trará um ator alemão personificando a tal organização nazista HYDRA: Thomas Kretschsmann. Mas "Age of Ultron" só estreia em 2015. Aguardemos!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Nem os R$ 0,20 acabaram ainda...

Não, não são só R$ 0,20 e eles nem acabaram ainda. Se a revogação do aumento em São Paulo (onde os vinte centavos são literais) e em outras grandes cidades do Brasil é algo a ser comemorado e muito, temos que lembrar que crescemos e aprendemos muito nesta quase uma semana de prática efetiva de cidadania. Mas que tal continuar a aprender e ir mais fundo na lição.

Pela manhã, após mais de uma hora de atraso, o prefeito Fernando Haddad concedeu uma coletiva absolutamente arrogante e descolada da realidade, não dando indícios de que em qualquer momento próximo o aumento seria revogado. Quando perguntado pelo SPTV quais setores poderiam ser afetados com a revogação da passagem, respondeu que não tinha levado isso em consideração ainda.

Seis horas depois, estava em nova coletiva, acompanhado do governador Geraldo Alckmin, para anunciar a tão pedida revogação dos R$ 0,20. Festa, ok... mas o que mudou em seis horas? O que foi combinado com a presidentE Dilma e o ex-presidente Lula para a ação articulada junto com o Rio de Janeiro? De onde eles vão retirar o dinheiro para custear a revogação ("nós vamos ter que cortar investimentos")? Todos nós queremos que os cortes provenham de uma administração mais responsável e menos corrupta, mas não foi isso o que foi sinalizado.

E acima de tudo, para provar que realmente não é tudo pelos vinte centavos: todos os protestos são pelo direito de poder participar e sermos protagonistas nas decisões das três esferas governamentais e não apenas entrar com o dinheiro para custear os desmandos dos políticos. Fizemo-nos ouvir, mas ainda somos tratados com unilateralidade. A revogação foi feita em um anúncio e não em uma coletiva, onde as perguntas acima poderiam ter sido feitas.... ou eu estou sendo ingênuo?


Sim, acredito que esteja sendo ingênuo. A revolta e os protestos não foram apenas contra os três poderes nestes últimos dias, mas também contra o "quarto" poder, a imprensa. Sempre ouvia com bocejos aos meus amigos "radicais de esquerda" que sempre postam que Globo, Veja, Folha e Estadão são vendidos e atrelados ao establishment. Mas para ser bastante caridoso, a semana passada foi uma grande prova disso. Desde os editoriais de Folha e Estadão, que incitaram a violência policial da quinta-feira, aos esquizofrênicos tratamentos de Arnaldo Jabor e Veja aos protestos (comparando os manifestantes ao PCC e a vândalos), os quatro grandes viraram a casaca de maneira vergonhosa para não ficar com a imagem completamente abalada diante da opinião pública (... ainda estou para ver neste sábado a capa da Veja ou Vejinha com o título "os heróis dos vinte centavos").

Mas para ser construtivo e continuar falando das lições que podemos aprender, quero muito que a cobertura política pare de ser uma coluna social de fofocas entre partidos, de mensagens leva-e-traz e disputa de pré-primário em tempos de eleição, onde o que importa são as pesquisas e quem está na frente. Está na hora de propor uma agenda, de expor problemas que farão a sociedade crescer como um todo e fazer as perguntas além do óbvio, enxergar além. Não deve ser difícil... o povo, ignorante, analfabeto e esfolado de impostos enxergou, está propondo e continuará propondo. De que lado os quatro poderes estarão nesta nova realidade?

Link da foto: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/06/19/rio-e-sao-paulo-anunciam-a-reducao-da-tarifa-apos-pressao-popular.htm

sexta-feira, 25 de março de 2011

Por que a Constituição não vale para tudo, só para ajudar os Fichas-Sujas?


O que mais estou escutando na TV sobre a decisão que ajudou os políticos fichas-sujas a poderem assumir os seus cargos (com a ajuda do povo que votou neles) é que a decisão do supremo seguiu a Constituição, já que a lei do Ficha-Limpa não ficou pronta um ano antes da eleição. E o pior, talvez não valha para 2012.

O interessante é que a Constituição também garante "o direito fundamental a um salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e as de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim (CF, art. 7°, IV)".

Por que as leis só valem para salvaguardar o interesse do mesmo grupo ao longo dos séculos? O grupo que construiu uma cidade no meio do nada, ilhada por sua enxurrada de salários e comissões estratosféricas perto da realidade nacional, para ficar longe da possível ira dos grandes centros urbanos só legisla em favor próprio.

O pior, talvez, não sejam eles... sejamos nós, coniventes com a situação perpétua e que elegemos os mesmos fichas-sujas.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Marina Silva sai como a vencedora das eleições


Até agora, não havia escrito nada sobre as eleições. Desânimo e desesperança foram os motivos. Eu, pessoalmente, não me identifiquei 100% com nenhum dos candidatos. Mas não há como negar que Marina Silva foi a única que se aproximou de algo ideal: propostas com pé e cabeça, apontadas para as necessidades do século XXI, uma política ética e com uma história de vida pública notória e notável.

No debate da Globo, na última quinta-feira, bateu em Serra e Dilma com elegância, criticando a visão de gerentes, de executivos reativos em vez de pró-ativos, como se apresenta. Hoje, com quase 20% dos votos válidos na eleição, será o fiel da balança para o segundo turno de 2010.

Mas uma fala de seu discurso de hoje é a principal. Marina falou algo como sua campanha ter sido a vencedora do primeiro turno de uma nova política. Concordo totalmente com a afirmação. Ela é a terceira via diferente e viável, diferente de Serra, que deve ter seu canto do cisne em 2010, e Dilma, um fantoche petista. Ela sai na frente para as eleições de 2014 como a alternativa mais forte ao lulismo-populista, que deve levar o pleito agora.

Espero que seu trabalho como oposição não se limite aos meses anteriores à próxima eleição presidencial, mas que se mantenha como um discurso coerente e sempre visando o longo prazo, visando não a vitória do partido em busca do úbere dos recursos federais para seus parasitas-partidários, mas sim a vitória do país que ainda continua deitado em berço esplêndido.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Concursos públicos: vagas reservadas


Se você for prestar um concurso público, veja o número de vagas no edital. Se foram uma ou duas, nem faça: elas já estão reservadas para o filho do amigo do cunhado de alguém com "puder". Sempre foi assim e espero que termine. Graças à era digital e à democratização, temos acesso aos casos de corrupção que antigamente ficavam por debaixo dos panos.

É o caso do servidor público que mais deveria prezar pelo cumprimento da lei, pois além de secretário nacional de Justiça, vem de uma família já conhecida por seus serviços (bons será?) prestados na Polícia Federal: ele é Romeu Tuma Jr.

Sem mais delongas, leia a matéria do Estadão e indigne-se você também: "PF mostra lobby de Tuma Jr. em favor de 'genro'"

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O preço da renúncia


Alguém acredita que um político renunciaria ao poder executivo máximo em troca de um "projeto nacional mais amplo, generoso e democrático"? Alguém acredita que um político daria um passo atrás por ainda ser mais novo que um outro que tem o seu último tiro para o jackpot? Alguém acredita que haja companherismo entre figurões da política, mesmo que da mesma sigla?

Enfim... alguém ainda acredita em Papai Noel, mesmo que estejamos perto do Natal?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Amarga censura


Parece que comentários em blogs viraram os inimigos dos antidemocráticos e retrógrados. Para as eleições do próximo ano, políticos querem proibir blogs de omitir opiniões que os desagradem, logicamente, visando a manutenção do seu status quo de detentores da informação em uma era onde ela corre livremente pela web.

Mas não é preciso ir ao rincão das cuecas recheadas de dinheiro para encontrar posições contrárias ao século que vivemos. Um blog que conta as peripécias de um casal nos preparativos para sua grande festa sofreu a censura de uma doceria que não gostou dos comentários feitos sobre seus quitutes. Um advogado entrou em contato com os blogueiros e os ameaçou com um processo caso o post não fosse retirado.

Acredito que seria mais produtivo para a doceria Di Roma tentar sanar suas falhas e ouvir os clientes do que censurá-los. Eu, pessoalmente, nunca ouvi falar da doceria até então, mas, o que ela conseguiu com sua atitude que condiz com a época do AI-5 foi a minha amarga revolta.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Cuecas e meias: vídeos, vídeos e mais vídeos


Se todas as negociações políticas fossem filmadas, a frase acima, usada no programa "Vídeos Incríveis", também poderia ser usada em um programa sobre como esconder o dinheiro das rotineiras propinas pelo Brasil a fora. Na cueca (com o precursor José Adalberto Vieira da Silva, irmão de José Genoíno, na foto), na meia, no soutien (por que não?), embaixo das barrigas protuberantes ou não, em malas ou bolsas Louis Vitton, o dinheiro corre solto como uma prática aceita não só pelos políticos, mas por toda a população ou a maioria dela.

Discorda? Como discordar se um país onde a eleição para governador distrital ficou entre o vencedor José Arruda (do DEM"O", ex-PFL), antes conhecido pelo escândalo do painel do senado e agora pela avalanche de vídeos, e o dinossáurico Joaquim Roriz? Este último deve ser o vencedor das próximas eleições em 2010, segundo apontam especialistas na política daquela unidade da Federação, ou seja, garantia de perpetuação das práticas já conhecidas e amplamente divulgadas ao longo dos anos.

Eles são corruptos porque nós, em nosso dia a dia, também somos e como ouço sempre por aí, "todo mundo que entra na política tem que fazer o jogo 'deles'".

E mais uma vez, no ano que vem, perderemos a chance de mandar uma forte mensagem por mudança, porque os mesmos ganharão. Eu e mais alguns que conheço, não vamos votar em quem tem mandato. E você?

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Dez anos depois, apagão assola Brasil novamente


Interessante que um dos temas tratados nas eleições de 2006 foi a possibilidade de haver um apagão elétrico no Brasil a partir de 2010. A então ministra da energia, Dilma Rousseff, agora pré-candidata à presidência, garantiu que o governo trabalharia para afastar a hipótese.

Hoje, com calor, rodeado de pernilongos e com meu carro à perigo (pois o portão automático estava aberto justo na hora da pane), senti na pele todo o planejamento do governo federal para evitar o apagão... que voltou a acontecer!

Com a volta da energia, gastei quase um frasco de SBP no quarto, fui tomar um banho e retornei para achar uma notícia na qual Dilma garantia que o apagão estava afastado. Para minha surpresa, a notícia não tem tanto tempo: foi publicada no último dia 29 de outubro, no site G1. Clique e leia.

Vamos ver quais serão as desculpas dadas pela manhã, quais serão as explicações e por que o PAC não está funcionando, ao menos neste setor.

No governo imperial, havia um ditado que nada havia mais parecido com um liberal que um conservador e vice-versa. O governo do PT é tão parecido ao do PSDB (Lula x FHC) que até mesmo neste apagão literal quis copiá-lo. Será que queremos mais do mesmo para as eleições de 2010? Eu não quero.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Mercosul ganha mais um pseudomembro


O Brasil caminha para incluir a Venezuela no Mercosul, no que seria o fortalecimento da América do Sul. Será mesmo? O tal Mercado Comum do Sul nunca conseguiu decolar como uma zona de livre comércio, vide a recente pendenga entre Brasil e Argentina.

Ambos países colocam entraves nas exportações dos mais diversos produtos, o que acaba sabotando a união aduaneira que nasceu em 1991 e ainda não ganhou sua verdadeira força. E provavelmente ela não virá com a adesão do governo que serve como exemplo antidemocrático para todo o continente americano e que vem espalhando sua ideologia, vide Bolívia, Equador e agora, Honduras.

O apoio do governo do PT a Zelaya e Cháves mostra o quão dividido o partido está em sua identidade: economicamente, segue a cartilha capitalista e vem colhendo excelentes frutos; já na política internacional, ainda flerta com o socialismo. No caso de Honduras, talvez não haja alternativa correta; já com Chávez, abraçá-lo nitidamente não é a melhor opção.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Thank you, George W. Bush


É isso o que o presidente Barack Obama, o novo Nobel da Paz, deveria dizer. Há pouco menos de um ano no posto de homem mais poderoso do mundo, suas atitudes totalmente diversas do "atira primeiro, pergunte depois" de Bush são as verdadeiras responsáveis pelo prêmio mais conhecido da humanidade. O contraste entre a intolerância do texano e a diplomacia do havaiano deram ao comitê sueco essa alternativa até um tanto quanto inesperada de escolher o presidente dos EUA como o laureado do ano.

Mas o prêmio, que a princípio dá prestígio a um Obama um tanto abatido no momento atual nos EUA (até mesmo a perda de Chicago como sede olímpica estava sendo usada para desprestigiá-lo), pode respingar negativamente para o presidente e também para o comitê sueco. Nunca se sabe o que o futuro destina: Obama pode ser forçado a uma intervenção mais forte no Afeganistão e problemas com Coréia do Norte e Irã tem grande potencial bélico.

Que saia justa não será para um premiado Nobel da Paz ter que invadir um país? E o comitê, com que cara ficará? Noc, noc, noc...

sábado, 3 de outubro de 2009

Lula consegue a sua cereja do bolo


O início do fim da era Lula foi coroado com a definitiva afirmação brasileira no cenário internacional: o país vai finalmente sediar uma Olímpiada. O carisma do presidente e o apelo do inedistimo dos jogos na América do Sul parecem ter sido fundamentais para a vitória. Além disso, o bom desempenho da economia verde-amarela colocou o Brasil em uma posição de prestígio internacional sem precedentes.

Lula vem rompendo barreiras durante a década: conseguiu tornar-se presidente; na reeleição, bancou a teoria de que o Estado deve crescer na economia de um país, o que provou ser fundamental para enfrentar a crise mundial, a maior desde 1929, e realmente torná-la "uma marolinha". O próximo trabalho de Hércules que o presidente se impôs é eleger a primeira mulher presidente da República, a ministra Dilma Rouseff.

Você pode estranhar o teor puxa-saquístico do texto, mas é inegável estas conquistas de Lula e também o seu carisma. O que critico no presidente e em seu governo é simplesmente o continuísmo da política de nepotismo e corrupção, a falta de compromisso ético com o que o PT dizia representar quando era oposição. Exigente demais? Pode ser, mas apontando ao utópico chegamos perto do ideal.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Está faltando problemas para resolver?


"A atividade não está regulamentada, aí você incentiva a criminalidade. Veja bem o que aconteceu nos Estados Unidos: quem controlava era a máfia e agora o jogo é uma atividade econômica como qualquer outra", disse o deputado Paulinho da Força (PDT-SP), à Folha de S. Paulo.

Qual o interesse de um deputado em aprovar a volta dos bingos e caça-níqueis, conhecidos meios de lavagem de dinheiro de agiotas, traficantes e sonegadores em geral? Seriam eles apoiados por alguma dessas classes ou simplesmente integrantes delas? Está faltando problemas em outras áreas, como saúde e educação?

Parece que sim, pois quando temos notícias que o Congresso está trabalhando, é para notícias absurdas como estas "CCJ da Câmara aprova legalização de bingos e caça-níqueis". Que comissão é essa, cujo nome é Comissão de Constituição Justiça e Cidadania e parece prezar muito pouco pelos cidadãos que tentam, em vão, neste país, serem honestos?

Por isso, cultivo a seguinte ideia, já divulgada em outros posts: quem tem mandato nesta legislatura, não merece o meu e o seu voto. Escolha bem o seu candidato em 2010, de preferência um que tenha um canal fácil de comunicação, como email, sites e blogs (até twitter) para cobrar dia a dia a sua atuação. Vamos tentar colocar em Brasília gente que esteja consciente de que estão trabalhando pelos nossos interesses, não os deles.

sábado, 22 de agosto de 2009

Mercadante e a maleabilidade indecente de seus princípios


"Principles only mean something when you stick to them when its inconvenient"*. Esta frase para mim é memorável, do filme "The Contender". Nele, a personagem de Joan Allen (uma das minhas atrizes favoritas), é uma vice-presidente democrata que é massacrada por uma crise pessoal: um escândalo sexual na juventude que põe o seu cargo e todo um governo em xeque pela oposição. A frase acima é a chave de toda a situação e uma lição de moral absolutamente inesquecível.

Hoje, o Senador Aloízio Mercadante perdeu a sua última chance de se manter fiel aos seus princípios. Em meio à crise do Senado em que o PT vem jogando suas últimas gotas de ética e moral no lixo, o senador sempre se mostrou dividido entre fazer o que é certo e defender a bandeira do seu partido, hoje, simplesmente reduzido ao "carisma" (ou paternalismo) do presidente do Brasil.

Com o arquivamento de todo o lixo feito por José Sarney pelo Conselho de Ética (?!) do Senado, Mercadante anunciou na quinta que deixaria a liderança do PT, em claro desagravo à postura de seu partido. O certo, seria, talvez, até mesmo abandonar o PT, como fez Marina Silva. Na sexta, Mercadante voltou atrás diante da bronca de Lula e, se fica fiel à atual postura do partido, trai a própria consciência, seus eleitores e ao ideal que, talvez, o PT tenha tido um dia.

Que 2010 venha galopante e que todos nós não nos esqueçamos de todos os episódios para votar. PT: não; Mercadante: nunca mais!

*Princípios só valem alguma coisa quando nos mantemos fieis a eles mesmo quando inconvinientes.

sábado, 8 de agosto de 2009

Ética? Decoro? Eles querem mais é o "puder"

O Conselho de Ética arquivou as denúncias contra o dinossáurico José Sarney. Mas alguém esperava algo diferente? É incrível que para arrumar um emprego no Brasil todos tem que mostrar o atestado de antecedentes criminais limpo, enquanto que para ser Senador ter algum antecedente criminal parace ser pré-requisito.

O que vamos fazer? Nada? Marcha à Brasília? Ou simplesmente não votar em mais NINGUÉM que tenha um mandato nesta legislatura (incluindo deputados)? Chega de complacência, conivência e cumplicidade: todos os senadores tem uma parcela de culpa nesta crise e não merecem permanecer. Que todos se lembrem disso em 2010.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Deu a louca nos senadores do Brasil

José Sarney, um dos ícones do coronelismo no Brasil, pode ser a única coisa a abalar a imagem quase divina do presidente Lula junto à maioria da população. Afundado em escândalos de nepotismo e tráfico de influência, Sarney reconquistou o apoio do PT para permanecer na presidência do Senado Federal graças ao apoio de Lula.

Nos próximos dias, a situação será resolvida. No entanto, será que a população aceitará a decisão de tudo acabar em pizza mais uma vez? Não seria o caso de todos nós não votarmos em mais nenhum senador e deputado que tenha ou já tenha tido um mandato em Brasília?

Fico decepcionado mais e mais, ano a ano, com os ícones da ética do PT, caso dos Senadores Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante. O primeiro se omite diante da lama na qual o seu partido se meteu; o outro, claramente desconfortável, faz o jogo que lhe é mandado.

Infelizmente, no caso do Brasil, a decisão do PT e dos senadores não é um clássico tiro no pé, com a decisão de Sarah Palin. Aqui, o Bolsa Família e os programas sociais compram a estabilidade política de um povo cuja a ética é ter um prato de comida diário na mesa.

Deu a louca nos governadores dos EUA

A folclórica Sarah Palin acaba de dar um tiro no pé. Resta saber se foi de escopeta ou de um reles 38. A governadora do Alasca deixará o cargo ao termino do mês. A especulação é que Palin já começará a campanha para ser a candidata democrata a presidente para a eleição de 2012.

Durante a última eleição, pela qual disputou como vice-presidente do derrotado John McCain, Palin foi criticada por sua pífia experiência admnistrativa, já que governava um dos estados menos populosos dos EUA, além de ser pouco conhecida.

Palin dá munição para a desconfiança que já paira sobre sua personalidade. Em sua única experiência, ela abandona o cargo. Como comentou um leitou do New York Times "é um ótimo jeito de deixar o governo do estado em um momento de instabilidade econômica (...) esta é uma liderança em que podemos confiar".

Pior do que a governadora do Alasca, que já alegou ter experiência em política internacional por conseguir ver a Rússia da sua casa, foi o governador da Carolina do Sul. Na semana retrasada, Mark Sanford sumiu do trabalho e de casa por uma semana para passar os sete dias em Buenos Aires com a amante. Será que ele não esperava nenhuma conseqüência pelo seu ato insano?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Está mais difícil fumar (ainda bem!)

Meu hábito de ler jornais da maneira tradicional acabou. No papel, acho que leio somente o Guia da Folha para saber os horários do cinema. No mais, visito sites meio que randomicamente, entre Folha, Globo e Estadão. Hoje, ao ler os editoriais da Folha, me deparei com algo que me intrigou: o texto reclama do aperto legislativo em São Paulo contra o fumo. Basicamente, só será proibido fumar em locais públicos abertos e nos domicílios.

Fine by me. Não entendi a indignação do editorial, que não imagino ter sido escrito por alguém que não seja fumante. "O juízo democrático, contudo, deveria buscar os meios de atingir esses nobres objetivos de saúde coletiva que menos constrangimento trouxessem aos fumantes." E daí o constrangimento aos fumantes. A minha teoria é que eu poderia andar com um revolvinho de água e atirar em quem fumasse, para tentar apagar o cigarro. Por que alguém pode atirar fumaça na minha cara e eu não posso atirar um jato d'água, que, além de evaporar, não faz mal à saúde?

Brincadeiras à parte, ninguém imagine que as leis contra o fumo são pura bondade de nossos governantes. Sim, são leis que favorecem à saúde pública, mas baseadas no simples raciocínio que as doenças causadas pelo fumo trazem gastos enormes aos cofres. Eles estão salvando o dinheiro e não exatamente às pessoas.

É o raciocínio análogo ao fim da escravidão. A Inglaterra não começou a dar fim à pratica mais condenável da história da humanidade em 1772 porque era feio. A prática simplesmente não condizia mais com a nova ordem mundial sacramentada por Adam Smith e o nascimento do liberalismo econômico. O mundo precisava de mais "pessoas" no mercado, ou melhor, mais participação, mais dinheiro no mercado. Mas já estou misturando laranjas e maçãs.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Ele faz história e conhece a História

Barack Obama é sim um político especial. Em seu primeiro discurso no Congresso Americano, ficou claro que o plano de estímulo à economia, arrasada por George W. Bush e pelos bancos e seguradoras com práticas pouco sustentáveis, veio para ser mais uma oportunidade de uma nova onda de criatividade tecnológica aos EUA.

O plano pretende criar, incentivar e educar através da criação de novas tecnologias, como energia solar, eólica e também a expansão da internet banda larga em todo o país, dentre outras iniciativas. Com isso, vários coelhos são arrebatados em uma única cajadada: criação de empregos, ganho de conhecimento de tecnologia por parte daqueles que trabalharão nestas iniciativas, criação de riqueza e royalties.

Usando exemplos de como os EUA responderam à crises ao longo da história (como a criação de ferrovias no século XIX, o New Deal na Grande Depressão e a chegada do homem à lua, na década de 60), Obama reafirma o pioneirismo dos EUA diante de algo que no Brasil parece uma miragem: a inovação. Somente com a inovação, que necessita de investimentos em pesquisa e educação, um país pode criar riquezas e mudar sua situação muito rapidamente. A inovação é o melhor e mais rápido atalho para o desenvolvimento.

Enquanto isso, o Brasil, talvez o país com maior potencial de criação de novas energias, ainda tem em sua agenda um problema do século XIX na maioria dos países desenvolvidos: analfabetismo e saneamento básico, para citar os mais palpáveis. Obama aproveita a chance que a história lhe dá, enquanto o Brasil se perde em picuinhas e deixa uma grande oportunidade passar, mais uma vez. Somos o país do futuro.... do futuro muito, muito longínquo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Até quando vamos ter que aturar a impunidade?

Hoje eu fui fazer um concurso público. Você praticamente não pode se mexer ou estará cometendo algum ato para burlar o concurso e colar, de alguma maneira. Celulares devem ficar dentro da sua bolsa, amarrada por um saco plástico; se algo seu cair no chão, você deve chamar a monitora para pegar e não levantar da cadeira em nenhum momento; após o término da prova, você só pode retirar sua bolsa do saco plástico e ligar seu celular após já estar fora do local de prova.

Para realizar uma simples prova para um cargo público você está praticamente amarrado na cadeira. Como é que um deputado (poderia ser uma senador, ministro) consegue burlar o fisco a ponto de construir um castelo e ainda é escolhido como corregedor da Câmara? Só pode ser piada... muita gente corroborou para que ele conseguisse obter recursos para ter esse castelo, no mínimo...

O que revolta é que a punição máxima aplicada é, para mim, um prêmio. Hoje, foi confirmado o seu afastamento do cargo de corregedor. Mas isso é muito pouco... é um prêmio. Ele deixa toda a pressão da mídia para trás e pode gastar o seu dinheiro obtido ilegalmente em paz. Que mensagem é passada para a sociedade? De que vale a pena roubar, ser político e conseguir o seu ganha-pão no vale-tudo.

Muitas mensagens na notícia do Estadão pedem cassação, o que também é pouco... nestes casos, o funcionário público deveria ser cassado, devolver o dinheiro com juros e ir para a cadeia, como qualquer outro ladrão comum, com a diferença que ladrões comuns nunca prometeram rezar pela boa administração do erário público.