sábado, 19 de fevereiro de 2011

"Amor e outras drogas" tenta escapar dos clichês


O diretor Edward Zwick, que ultimamente estava mais ligado à produção de filmes, está na minha memória como o diretor do drama de guerra (civil) "Tempo de Glória", o grande cartão de visitas de Denzel Washington, e o drama romântico "Lendas da Paixão", o grande cartão de visitas de Brad Pitt.

Agora, o diretor pega duas estrelas ascendentes de Hollywood para fazer um filme menor, com algumas pitadas de originalidade. A comédia romântica "Amor e outras drogas" (Love and Other Drugs) aposta no reencontro de Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway (que estiveram juntos, também como um casal, no drama gay/western "O Segredo de Brokeback Mountain"). Jake é um mulherengo descompromissado, cujo único talento parece ser vender; já Anne é uma jovem realista/pessimista diagnosticada com o mal de Parkinson.

Não há amor à primeira vista, não há cenas de sexo em que as partes pudentas são cobertas, não há a promessa de um "felizes para sempre". Mas, mesmo tentando escapar dos clichês do gênero, o filme não escapa de satisfazer a plateia com um encerramento tranquilizante e, como as meninas hoje em dia gostam de falar, "fofo".

Sábado com chuva e aquela preguiça? Vale assistir; e também se você é fã do casal central (acredito que quase todo mundo).

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Turnovers decidem SuperBowl XLV para o Green Bay Packers


Minha torcida valeu e como meu feeling indicava, após a vitória do Green Bay contra o Philadelphia no primeiro jogo dos playoffs, o time do QB mais inspirado e inspirador da NFL levou a melhor no SuperBowl XLV. Na vitória por 31 a 25, onde o time de Wisconsin ficou à frente do placar em todos os momentos, os turnovers foram decisivos. Foram três erros cruciais do valente Pittsburgh Steelers contra nenhum do Green Bay (duas interceptações aos lançamentos do Roethlisberger e um fumble de Mendenhall).

Aaron Rodgers converteu todos os erros dos Steelers em touchdowns. Mesmo assim, os Steelers conseguiram reverter um placar de 21 a 3 para 21 a 17. Depois disso, sempre ameaçou o troféu dos Packers até os 47s finais da partida.

Com 304 jardas no jogo, Rodgers foi eleito o MVP do maior espetáculo anual do esporte e se livra de vez da sina de ser a sombra da lenda de Brett Favre, ex-QB do Green Bay e um dos maiores da história. A Era Aaron está só começando.

PS: interessante este post no blog de onde tirei a foto... o cara previu que Aaron Rodgers seria o MVP em setembro... good call!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Natalie Portman entrega a alma em "Cisne Negro"


Finalmente. Um filme desta safra do Oscar que simplesmente me tirou do cinema, me fez torcer pela protagonista mesmo em sua esquizofrenica loucura em busca da perfeição e que me deixou na dúvida se na última meia hora de projeção eu sequer pisquei alguma vez. "Cisne Negro" (Black Swan) já havia me conquistado pela primeira vez em novembro, quando vi o trailer. É o melhor thriller-psicológico desde "Misery", com Kathy Bates.

O filme é o que eu esperava e muito mais. Lá estão os elementos que fez do diretor Darren Aronofsky um dos queridinhos do circuito cult: movimentos fechados e "irregulares" da câmera, a loucura dos protagonistas, a metamorfose como metáfora de seus desejos e aqui, mais do que talvez em qualquer um do seus filmes, uma atuação que é espetacular em todos os segundos.

Natalie Portman começa seu show demonstrando uma fragilidade ímpar da bailarina infantil e dominada pela mãe (interpretada por Barbara Hershey), Nina Sayers. Com o perigeu da bailarina principal de sua companhia (Winona Rider), o diretor (Vincent Cassel, ótimo) está prestes a escolher uma substituta.

Nina é escolhida, mas vê seu posto ameaçado por uma novata impulsiva e apaixonante, mas que não prima pela técnica de Sayers. A escolha de Mila Kunis para este papel e sua semelhança física com Portman não é mero acaso, e colabora para a asfixiante transformação da protagonista rumo ao seu objetivo final... não sem irreversíveis conseqüências.

Todos os prêmios vencidos por Portman até aqui são pouco para um trabalho tão brilhante. Screen Actors Guild e o Globo de Ouro já foram arrebatados pela jovem que é, de longe, favoritíssima ao prêmio de melhor atriz por um papel que não é só o destaque deste ano, mas talvez, da última década.

Centralização na protagonista é a força de "Inverno da Alma"


Jennifer Lawrence, de apenas 19 anos, surpreende ao carregar nas costas o filme naturalista "Inverno da Alma" (Winter's Bone). A interpretação da jovem de uma adolescente que tem que salvar sua mãe praticamente autista e seus dois irmãos menores das encrencas de um pai desaparecido e de um provável despejo é impactante.

Mas nem só da atriz indicada ao Oscar vem a força do filme que quase não dá tréguas para a platéia deixar de sentir aquele nó na garganta. O roteiro totalmente hermético na protagonista nos deixa também na ansiedade por entender quais situações levam a um patriarca colocar sua família naquela situação.

O filme também é um retrato de um interior dos EUA em que as atividades econômicas que fizeram estados distantes um tanto prósperos no passado (no caso o extrativismo vegetal no Missouri) entraram em decadência e fizeram do refino de drogas uma alternativa sombria para famílias inteiras.

Além de Lawrence, o filme também foi indicado pelo seu roteiro, como melhor produção e ator coadjuvante (John Hawkes). Confira lá, você sabe onde.

A beleza é o único motivo para ver "O Turista"


Paris, Veneza e Angelina Jolie. Três são os motivos para ver o filme "O Turista" ainda em cartaz nos cinemas. São três belezas únicas na Terra, mas será que valem perder o tempo em fila, aguentar o cheiro insuportável da pipoca (sim, eu odeio!) e ficar duas horas sentado esperando por um final previsível de uma história que tenta ser séria, tenta ser engraçada e tenta ser enigmática sem ao menos esbarrar perto de quaisquer destes objetivos?

A resposta para todos os "mistérios" do filme está em uma pergunta: quem escalaria Johnny Depp para o papel de um simples idiota?