Trilha primorosa

Trilha primorosa
O melhor de "Lula, o filho do Brasil" é a trilha sonora composta por Antonio Pinto e Jacques Morelenbaum (foto)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

"Lula, o filho do Brasil" tenta escapar de armadilhas


Um filme sobre um presidente da República é uma novidade para o cinema brasileiro, ainda mais quando se trata do atual mandatário supremo. Como realizar uma produção digna sem deixá-la cair nas inumeráveis armadilhas que a premissa traz consigo? Em todo filme nacional, sempre em seu início, somos obrigados a ver incontáveis logos de órgãos públicos que de alguma forma ou outra, ajudaram na realização.

Isto, em "Lula", não poderia acontecer. A saída foi arrumar patrocínios das maiores empresas e empreiteiras do País. O que não fica claro para todos nós é o que elas ganharam (ou, principalmente, ganharão) além da breve aparição de seus logos no ínicio da projeção. Infelizmente, sabemos que a Brahma conseguiu uma constrangedora menção aos "brahmeiros" em uma das falas, mas e as outras empresas?

Tendo escorregado na primeira armadilha, mesmo tentando escapar, a produção de Fábio Barreto habilmente saiu de outra: a de fazer um filme-bomba. Para isso, escolheu bem como retratar a história do presidente: escapando do período atual, cheio de polêmicas e altamente opinativo, para recorrer ao mito (que aqui, é realidade) do macunaíma que venceu a origem miserável para chegar ao inalcansável topo.

O roteiro por vezes escorrega ao tentar tratar de vários assuntos políticos com a vida pessoal, se perdendo principalmente no primeiro aspecto. Já a boa direção de Fábio Barreto contou com aspectos técnicos louváveis, como fotografia e figurino, que retratou bem a passagem do tempo de acordo com a história brasileira.

No elenco, Glória Pires emocionou no papel da mãe de Lula, principalmente quando era exigida nos momentos em que um ator se mostra maduro: quando ele tem que "falar" com a câmera, mas sem texto. O ponto alto fica com o estreante Rui Ricardo Diaz, que teve um desafio gigantesco pela frente: representar uma figura que todos conhecem e já caricaturada por muitos.

A voz de Lula na pele de Diaz fugiu da caricatura e somente nas nuances lembrava a do presidente. Obviamente, não foi só neste detalhe que o ator ganhou o filme, mas também em outros, como o crescimento do personagem, que passa da timidez à postura de um líder ao longo 130 minutos de projeção.

Mas a grande armadilha do filme, como produto de cinema, é enfrentar o inevitável preconceito dos frequentadores dos multiplex. Não há, pelo menos entre as pessoas que eu conheço, quem não torça o nariz para o filme. Mas aqui, "Lula" responde como produto das próximas eleições, quando será um DVD a preços populares e atingindo os extratos das classes sociais que precisam ser convencidos de que Dilma Roussef é sim uma boa opção. O tempo (dentro em breve) dirá se ele obteve êxito neste quesito, pois, como obra cinematográfica, conseguiu.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Direção é trunfo de "500 dias com ela"


O cinema é onde o impossível acontece, onde as almas gêmeas se encontram e o amor sempre dá certo. Mas e se em vez do extraordinário a telona tratasse do ordinário, do comum, daquilo que as pessoas vivem em suas frustradas histórias de amor? Tudo seria meio chato, não?

Em "500 dias com ela", o diretor Marc Webb trata de pegar este desafio e transformá-lo em um interessante filme que conta a história do apaixonado Tom (vivido pelo ator Joseph Gordon-Levitt, mais conhecido até então como ator mirim da série 3rd Rock from the Sun) e a realista Summer (retratada pela cult Zooey Dechanel).

Webb utiliza variados recursos presentes em videoclips e na Internet para em flashforwards e flashbacks contar esta história que não é de amor, mas de como ele pode ser sentido de diferentes maneiras por um quase-casal.

Enquanto o diretor vê o seu promissor filme ganhar alguns prêmios e indicações importantes (como as do Globo de Ouro para melhor filme musical ou comédia e de ator na mesma categoria para Levitt), ele prepara o remake de Jesus Christ Superstar. Desafiador.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Bears impedem Favre de quebrar incrível tabu


Whatta game! Como o narrador da ESPN Mike Tirico bem disse, a torcida de Chicago deve estar se perguntando "quem são esses caras, onde eles estiveram durante todo o ano?". Em um jogo que valeu como presente de Natal atrasado pra quem ama o futebol americano, os Bears derrotaram o Minnesota Vikings por 36 a 30 na prorrogação.

Em seu 284º jogo seguido como titular da NFL, o QB dos Vikings, a lenda Brett Favre, esteve perto de quebrar um incrível tabu. Em 41 jogos em que seu time estave perdendo por 17 pontos ou mais no último quarto, ele nunca conseguiu virar. Hoje, foi quase.

Depois de um primeiro tempo em que só conseguiu lançar 36 jardas devido à forte pressão da defesa do time de Illinois, Favre teve uma segunda etapa primorosa e conseguiu reverter o placar de 23 a 6 para um 30 a 30 emocionante faltando 16 segundos para o relógio chegar ao seu destino final.

Na prorrogação, os Bears ganharam na moeda, e o quarterback Jay Cutler (foto) deixou o seu kicker Robbie Gould a 46 jardas do field goal. Para imprimir mais emoção ao jogo, Gould errou por centímetros. Na seqüência, ninguém acertava o drive e quando o running back Adrian Peterson, dos Vikings, parecia escapar para um touchdown, Hunter (ótimo nome!) Hillenmeyer, o middle linebacker de Chicago, forçou um fumble e entregou a bola para Cutler.

Em uma jogada que foi a tônica do ataque dos Bears na partida, o quarterback lançou para o touchdown do wide-receiver Devin Aromashodu (7 recepções, 150 yardas, 1 TD) decretar a incrível vitória.

Os Bears estão fora dos playoffs, mas lavam a alma com este jogo; já os Vikings estão garantidos, mas a derrota deixou os Saints, de Drew Brees, em primeiro na NFC. Janeiro promete!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Marco cinematográfico, Avatar escorrega no roteiro


A História repete a si mesma indefinidamente. A cobiça nunca encontrará um fim, nem no tempo, nem no espaço. Tomando isso em conta, o novo filme de James Cameron não tem em sua narrativa nada de novo. As críticas apontam para vários filmes de ficção científica como fonte de inspiração para "Avatar". Mas, no entanto, o filme que me veio mais à cabeça durante as duas horas e meia de projeção foi "Dança com Lobos".

Um forasteiro que não tem nada a perder na vida acaba por um encontrar algo que lhe faz sentido em uma população primitiva que será inevitavelmente destruída por seu povo, sedento por terras/petróleo/unobtanium (o último, o minério que os humanos querem ao invadir Pandora, o planeta em questão retratado na produção).

Deixando os paralelos com a expansão ao Oeste americano, a Guerra do Iraque ou o maniqueísmo rasteiro onipresente no estilo americano de fazer cinema, não há como negar o espectáculo visual oferecido por James Cameron. E é aqui que seu filme ganha pontos técnicos e comerciais, sendo um marco cinematográfico em ambos aspectos.

Não há outro lugar possível para assistir "Avatar" a não ser no cinema e em 3D. Pirataria, DVDs, downloads não oferecem a explosão de sentidos que a telona e os óculos plásticos entregam aos espectadores. Talvez seja a resposta de uma indústria que está em seu auge e ao mesmo tempo vê os elementos que podem ameaçar o seu futuro crescerem mais e mais.

Apesar da obviedade cinematográfica do roteiro, há um vasto campo antropológico sugerido para conversas e mais conversas sobre personas dentro de personas (avatares), além das possibilidades tecnológicas que nos oferece o futuro. Há também o lado biológico, em um paralelo com as linhas de Wallace: com a Terra sendo o ápice do desenvolvimento materialista e Pandora, o espititual. Sobre esta gama variada de informações, a produção do filme desenvolveu um wiki interessante, que regará a conversas dos nerds interessados em ficção científica como eu por horas e horas.

Voltando à comparação com "Dança com Lobos", que não também não trazia nada que não sabíamos, mas foi muito bem produzido, o destino de Avatar no Oscar pode ser o mesmo do filme de 1990: o prêmio de melhor filme e diretor, além dos óbvios prêmios técnicos.

O preço da renúncia


Alguém acredita que um político renunciaria ao poder executivo máximo em troca de um "projeto nacional mais amplo, generoso e democrático"? Alguém acredita que um político daria um passo atrás por ainda ser mais novo que um outro que tem o seu último tiro para o jackpot? Alguém acredita que haja companherismo entre figurões da política, mesmo que da mesma sigla?

Enfim... alguém ainda acredita em Papai Noel, mesmo que estejamos perto do Natal?