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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Um títular da seleção brasileira joga no Canadá?!

Depois da convocação feita pelo técnico Luiz Felipe Scolari, muito foi comentado em programas de TV e redes sociais. A lamentação mais óbvia, da qual compartilho, foi a não convocação do meia Philippe Coutinho, que vem jogando e armando de maneira primorosa os contra-ataques da dupla mais mortal do Campeonato Inglês até aqui - o uruguaio Luis Suárez e o inglês Daniel Sturridge (23 e 18 gols respectivamente), com cinco assistências de Coutinho.

O fato pouco comentado é que o goleiro Júlio César, o único até aqui garantido por Felipão na Copa e como titular, está saindo da segunda divisão inglesa, onde é reserva no Queens Park Rangers (QPR), para o Toronto FC, time canadense da Major League Soccer (MLS, dos EUA).

Júlio César, na Copa das Confederações (julho/2013) - Foto: JASPER JUINEN/GETTY IMAGES


É um fato inédito. Quem poderia imaginar que um titular da seleção brasileira, a única a disputar todos os mundiais desde 1930, poderia jogar em um país onde o hóquei é o esporte número um e o futebol fica atrás até mesmo do pouco conhecido futebol americano canadense (que tem 12 jogadores e regras diferentes).

Toda uma situação sui generis levou a este evento espantoso. Júlio César, em decadência e já em fim de carreira, relutou em se aposentar após anos de sucesso na Internazionale de Milão, uma das grandes do futebol mundial. Só conseguiu espaço no então time da Premier League Inglesa, mas do QPR acabou caindo. Na nova temporada, sem espaço no time (reserva de Robert Green, ex-titular da Inglaterra), os boatos garantiam Júlio César no Grêmio, que disputa a Libertadores.

Precisando jogar, mas também ainda priorizando receber (bons) salários (algo que não é garantido nos times do Brasil), Júlio César escolheu ir para o Toronto FC, que vem investindo pesado para fazer bonito na nova temporada da MLS. Trouxe nada mais nada menos do que Jermaine Defoe, atacante do Tottenham e ex-titular da seleção inglesa; o volante americano Michael Bradley, que estava na Roma; e o atacante Gilberto, ex-jóia preciosa do Náutico, e que fez excelente Campeonato Brasileiro pela Portuguesa, marcando 14 gols. Como a (linda) página do time diz, "It's a bloody big deal".

Estranhamente, a notícia ainda não figura no site do Toronto FC, já que detalhes burocráticos ainda devem faltar para que o goleiro da seleção anfitriã da Copa do Mundo assine com o time do Canadá, por empréstimo. Será um momento histórico para o futebol canadense (como mostra o artigo de Armen Bendakian) ... já para Júlio César restará provar que ir para um rincão tão desconhecido do futebol não é sinônimo de sua decadência absoluta. Como? Ganhando a Copa do Mundo.... fácil!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Diego Souza é o Gerrard brasileiro


Meia-atacante cerebral, de força, de raça; fortes chutes de média distância, potência para ficar em pé nos trancos do adversários, visão de jogo para deixar o centroavante na cara do gol e bom na bola parada.

Todas essas características se aplicam tanto ao brasileiro Diego Souza, do Palmeiras, quanto ao inglês Steven Gerrard, do Liverpool. Os dois enfrentaram clássicos neste final de semana, encarando Santos e Chelsea fora de casa.

Mas enquanto Diego Souza vive um ótimo momento no líder do Brasileirão, tanto jogando como segundo atacante como quarto homem de meio-campo, Gerrard esteve perdido em Stamford Bridge e amargou uma derrota por 2 a 0. Já Diego Souza liderou o Palmeiras na vitória por 3 a 1 e tenta cavar uma vaga na Seleção Brasileira ao tornar-se o principal jogador do campeonato nacional.

Os dois se parecem também nas polêmicas. Mas enquanto Gerrard concentra suas confusões nos pubs e bebedeiras nas folgas, Diego Souza já protagonizou cenas de vale-tudo contra o zagueiro Domingos (do Santos), nas semifinais do Paulistão neste ano. Talvez isso o afaste de estar na Copa de 2010, coisa que Gerrard já garantiu.

PS: Falar sobre o Palmeiras, vá lá... mas foto, nunca! (hehehehehhe)

sábado, 15 de agosto de 2009

Artilharia pesada dos Gunners


O Arsenal estreou com tudo no Campeonato Inglês, goleando o Everton por 6 a 1 fora de casa. Ótimas atuações do dinamarquês Bentner, do brasileiro Denílson e do espanhol Fabregas. A equipe entrou em campo com uma variação tática estranha: todos pensavam que o grandalhão Bentner fosse o substituto natural de Adebayor, que foi para o Manchester City.

Mas em vez de estar na área, Bentner armou as jogadas pela direita, com o pequenino, mas sempre perigoso Arshavin no ataque, acompanhado pelo holandês Van Persie. Com muita técnica, toques de bolas rápidos e precisos, além do eficiente jogo aéreo dos zagueiros Gallas e Vermealen, o Arsenal fechou o primeiro tempo com 3 a 0.

Na segunda etapa, o cerebral Francesc Fabregas (foto) foi o destaque, com dois gols: o primeiro, em uma eficiente linha de passes de toda a equipe; no segundo, ele recebeu passe do goleiro Almunia ainda no campo de defesa e foi até a área adversária para fuzilar de vez a partida. O brasileiro naturalizado croata Eduardo fechou a conta no final. Saha fez o de honra dos Toffees.

A primeira rodada do inglês será completada amanhã, com os mais tradicionais times do país em campo: o Manchester United recebe o Birmingham e o Liverpool tem difícil missão em White Hart Lane contra o Tottenham.

Novo nouveau-riche


O Manchester City é o novo nouveau-riche do Campeonato Inglês. A repetição de termos se deve à existência do Chelsea, o primeiro nouveau-riche da Liga Inglesa. Enquanto o Chelsea já teve a sua onda de superinvestimentos do magnata russo Roman Abramovitch, o Manchester City chega com tudo, com contratações feitas pelos magnatas árabes que compraram a equipe no ano retrasado e trouxeram o zagueiro Kolo Touré, o meia Gareth Barry e os atacantes Carlitos Tevez, Emmanuel Adebayor e Roque Santa Cruz.

Os dois venceram nesta primeira rodada deste sábado: o Chelsea sofreu contra o Hull City, mas saiu vencedor por 2 a 1 graças ao centroavante Didier Drogba; o City também sofreu a pressão do Blackburn, fora de casa, mas Adebayor e Ireland garantiram a vitória.

Os dois times são favoritos ao título deste ano, mas a comparação que faço entre os dois está em seus capitães, posição que geralmente representa o coração das equipes, o seu verdadeiro "eu". Coincidentemente, são dois jogadores que estão nas equipes antes da onda de investimentos: John Terry, pelo Chelsea, e Richard Dunne (foto), pelo City. Enquanto um é jogador da seleção inglesa e o melhor zagueiro do mundo,o irlandês Dunne representa o passado do futebol britânico - muita força e pouca técnica.